A roça pode influenciar sua formação profissional? 

Noa Takasawa
Por Noa Takasawa 5 Min de leitura
Alfredo Moreira Filho

Uma carreira raramente nasce pronta. Ela se forma em etapas, com mudanças de ambiente, escolhas difíceis e conhecimentos que só revelam seu valor quando são colocados em situações novas. Em Pequenas Histórias e Algumas Percepções, Alfredo Moreira Filho associa sua trajetória a esse movimento: da zona rural de Igrapiúna, na Bahia, à formação em Agronomia e à atuação profissional em diferentes regiões do país.

O interesse desse percurso não está apenas nas cidades atravessadas. Está na combinação entre três experiências que costumam ser tratadas separadamente: o aprendizado prático da roça, a disciplina dos estudos e a responsabilidade de administrar atividades e relações. Juntas, elas ajudam a compreender como uma formação profissional pode avançar sem romper com a origem familiar e os valores éticos.

Como origem e estudo formam repertório?

Na vida rural, o resultado depende de tempo, cuidado e condições que não podem ser controladas por completo. Plantar, acompanhar e corrigir fazem parte de um processo em que a pressa raramente resolve o problema. Esse contato com limites concretos pode desenvolver uma percepção cuidadosa sobre recursos, esforço e consequência, elementos úteis também fora do campo.

A infância na Fazenda Furado, ligada às origens de Igrapiúna, aparece no livro como parte da formação pessoal do autor. A passagem por Salvador acrescentou uma dimensão prática: ainda jovem, Alfredo Moreira Filho começou a trabalhar em uma instituição bancária e concluiu o curso científico. Depois, em Ituberá, atuou como professor antes de ingressar na Faculdade de Agronomia de Viçosa, em Minas Gerais.

Por que mudar de lugar também é aprender?

A formação universitária organiza conhecimentos e oferece método para analisar problemas. Na Universidade Federal de Viçosa, onde se graduou em 1971, o estudante encontrou a base técnica da Engenharia Agronômica. A universidade, porém, não encerra a aprendizagem: prepara o profissional para reconhecer o que sabe, identificar o que precisa compreender e aplicar esse repertório em contextos concretos.

Depois de Viçosa, a atuação no Amazonas colocou a formação técnica diante de uma realidade diferente. Itacoatiara e Manaus fizeram parte desse período, marcado por desafios profissionais e pela necessidade de compreender condições próprias da região. A passagem pelo estado exigiu reaprender procedimentos, relações de trabalho e formas de interpretar a atividade agropecuária.

O que a adaptação acrescenta à experiência técnica?

Adaptar-se não é improvisar. Envolve observar o ambiente, rever expectativas e decidir quais conhecimentos permanecem úteis, quais precisam de ajustes e quais devem ser complementados. Em 1982, Alfredo Moreira Filho recebeu do CREA/AM o título de Engenheiro do Ano do Amazonas, reconhecimento relacionado à sua atuação como engenheiro agrônomo durante essa etapa profissional.

A passagem por Tucumã, no Pará, e a mudança da família para Brasília, em 1986, ampliaram o percurso. Nos negócios, a experiência técnica passou a conviver com pessoas, custos, prazos, riscos e prioridades. Alfredo Moreira se consolidou como empresário, fundador e gestor do Grupo Valore+, além de especialista em gestão empresarial. Essa informação localiza uma continuidade, não uma fórmula automática de sucesso.

Uma carreira em movimento ensina

Uma trajetória entre roça, universidade e negócios não comprova que exista um único caminho profissional correto. Ela revela a possibilidade de combinar origem, estudo e mudança sem tratar essas dimensões como rivais. A experiência prática oferece percepção; a universidade organiza o raciocínio; os deslocamentos testam a adaptação; e a gestão converte aprendizado em decisão.

No percurso de Alfredo Moreira Filho, a chegada a Brasília representa uma nova etapa, não o apagamento das anteriores. A capital federal reúne o ponto de consolidação empresarial de uma história que começou no interior da Bahia e passou por diferentes ambientes de trabalho. Uma carreira em movimento, portanto, é mais que uma sequência de lugares: é a construção gradual de critérios, responsabilidades e valores.

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