Com 54 vagas no Senado e 513 na Câmara em disputa, a composição do próximo Congresso será uma parte central da eleição de outubro.
As eleições de 2026 entram em uma fase decisiva a menos de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Embora a disputa presidencial concentre grande parte da atenção pública, a votação também definirá a composição da Câmara dos Deputados e renovará dois terços do Senado Federal. São 513 cadeiras da Câmara e 54 do Senado em disputa, o que torna a escolha dos parlamentares um dos principais temas institucionais do pleito. (DIAP)
O momento também é marcado pela conclusão da maior parte dos julgamentos de registros de candidatura. Até 15 de setembro, a Justiça Eleitoral havia analisado 99,02% dos 21.187 requerimentos apresentados para as eleições, restando 205 processos pendentes naquele levantamento. (Justiça Eleitoral) Com o calendário avançando, a dúvida deixa de ser apenas quem está concorrendo e passa a envolver o que efetivamente estará em jogo na composição dos Poderes Legislativo e Executivo.
Por que 54 cadeiras do Senado estarão em disputa em 2026
O Senado possui 81 cadeiras, com três representantes por unidade da Federação e mandatos de oito anos. A renovação ocorre alternadamente: em uma eleição, são escolhidos um terço dos senadores; na seguinte, dois terços. Em 2026, portanto, cada estado e o Distrito Federal escolherão dois senadores, enquanto as outras 27 cadeiras permanecerão com seus atuais ocupantes até o fim dos respectivos mandatos. (Justiça Eleitoral)
Esse desenho torna a eleição de outubro particularmente relevante para a composição da Casa, mas não significa que todos os atuais senadores cujos mandatos estão chegando ao fim estejam necessariamente tentando permanecer no cargo. Levantamentos divulgados em setembro indicam que 32 dos atuais senadores nas cadeiras em disputa buscam a reeleição, enquanto outros ocupantes seguem caminhos eleitorais diferentes ou não concorrem. (Revista Oeste)
A dinâmica também é diferente daquela encontrada na Câmara. Cada eleitor votará em dois nomes para o Senado, e os dois candidatos mais votados em cada estado ou no Distrito Federal serão eleitos. O eleitor não precisa escolher uma chapa com dois nomes, mas pode votar em dois candidatos diferentes, e cada voto será contabilizado individualmente. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, por exemplo, reforçou essa regra em orientação publicada neste mês, explicando que a renovação de dois terços corresponde a duas vagas por unidade da Federação. (Justiça Eleitoral)
A disputa pelo Senado tem ainda uma característica institucional importante: os senadores exercem mandato de oito anos e participam de atribuições que não são idênticas às dos deputados. A Casa participa da elaboração de leis, mas também possui competências específicas relacionadas a julgamentos políticos, aprovação de determinadas autoridades e análise de operações envolvendo entes federativos, entre outras funções previstas na Constituição. Por isso, a composição resultante da eleição terá efeitos que ultrapassam o período imediatamente posterior à votação.
O que a composição do Congresso pode mudar na política brasileira
A Câmara e o Senado desempenham funções diferentes dentro do processo legislativo, e a relação entre suas composições pode influenciar a tramitação de projetos, propostas de emenda à Constituição, medidas provisórias e outras matérias. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) destacou em análise publicada em 21 de setembro que as 513 vagas da Câmara e as 54 do Senado estarão em disputa e que a eleição definirá a correlação de forças responsável pela agenda legislativa dos próximos anos. (DIAP)
Essa correlação, entretanto, não pode ser reduzida simplesmente à quantidade de cadeiras conquistadas por cada partido. O funcionamento do Congresso envolve blocos, federações, bancadas temáticas, acordos entre diferentes legendas e negociações específicas de cada projeto. Além disso, parlamentares podem votar de maneiras diferentes conforme o assunto, mesmo quando pertencem ao mesmo partido. Assim, conhecer a composição partidária é importante, mas não é suficiente para compreender antecipadamente como cada matéria será votada.
O papel do Senado merece atenção adicional porque, em 2026, serão escolhidos dois representantes por estado. Isso significa que o eleitor terá a oportunidade de escolher uma dupla de nomes para uma Casa que participa de decisões institucionais relevantes. O mandato de oito anos também faz com que a escolha realizada neste ano permaneça com efeitos sobre mais de uma legislatura da Câmara. (Justiça Eleitoral)
Outro ponto que merece ser observado é a diferença entre eleição e formação posterior de maiorias. Um partido pode conquistar determinado número de cadeiras, mas a formação de maioria para uma proposta dependerá do tipo de matéria, das regras de votação e dos acordos políticos construídos durante a legislatura. Emendas à Constituição, por exemplo, possuem exigências de votação diferentes das leis ordinárias. Portanto, analisar somente o número de parlamentares eleitos sem considerar as regras do processo legislativo pode produzir uma interpretação incompleta.
O que o eleitor pode verificar antes de votar
A proximidade do primeiro turno aumenta a importância de consultar informações oficiais sobre candidatos e contas de campanha. O Tribunal Superior Eleitoral mantém canais específicos para consulta de candidaturas, partidos e prestação de contas, permitindo que o eleitor verifique dados registrados na Justiça Eleitoral antes de tomar sua decisão. (Justiça Eleitoral)
Também é possível consultar as regras da votação e os cargos em disputa diretamente nas plataformas da Justiça Eleitoral. Em 2026, o primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro e, caso haja segundo turno para os cargos correspondentes, a votação será realizada em 25 de outubro. As seções funcionarão das 8h às 17h pelo horário de Brasília, conforme o calendário e as regras estabelecidas pelo TSE. (Justiça Eleitoral)
Outra questão que ganhou destaque nesta semana envolve o combate à desinformação. O TSE informou em 22 de setembro quais canais devem ser utilizados para comunicar possíveis irregularidades e conteúdos relacionados à desinformação eleitoral, diferenciando as funções do aplicativo Pardal e do Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral, o Siade. (Justiça Eleitoral) A existência desses canais permite que o eleitor não dependa apenas de publicações em redes sociais para verificar uma informação suspeita.
Nesse cenário, a análise da eleição para o Congresso passa por mais de uma pergunta. Além de verificar quem são os candidatos, o eleitor pode consultar suas propostas, trajetória política, partido, declarações de bens, contas eleitorais e informações disponibilizadas pela Justiça Eleitoral. No caso do Senado, também é importante lembrar que serão escolhidos dois nomes, e que cada candidatura deve ser analisada individualmente.
A eleição de 2026, portanto, não definirá apenas quem ocupará a Presidência e os governos estaduais. A votação de 4 de outubro também estabelecerá a composição da Câmara e renovará dois terços do Senado, alterando a configuração do Legislativo para a próxima legislatura. (Justiça Eleitoral)
Para acompanhar o processo de forma mais informada, vale separar três questões: quem está concorrendo, quais são as atribuições do cargo e quais informações oficiais estão disponíveis sobre cada candidatura. Essa separação ajuda a evitar que a escolha seja baseada exclusivamente em publicidade eleitoral, opiniões de terceiros ou conteúdos compartilhados nas redes sociais. Em uma eleição com tantas cadeiras em disputa, compreender as funções institucionais de deputados e senadores é uma etapa importante para interpretar o resultado que será produzido pelas urnas.