Segundo Alberto Toshio Murakami, o Monte Fuji e o Japão costumam aparecer juntos em imagens que circulam pelo mundo, mas a relação entre a montanha e a cultura japonesa vai muito além da paisagem. Até porque o Fuji-san ocupa um lugar singular na construção simbólica do país, reunindo espiritualidade, identidade nacional e referências históricas que atravessam séculos.
Logo, entender essa conexão ajuda a compreender melhor o próprio Japão e a forma como os japoneses se relacionam com o território e com a natureza. Com isso em mente, neste artigo, conheceremos o Monte Fuji sob uma perspectiva mais profunda, que vai muito além do turismo e das fotografias clássicas.
Monte Fuji e Japão: por que essa montanha é tão simbólica?
O Monte Fuji e o Japão compartilham uma relação que envolve respeito, contemplação e pertencimento. Com seus mais de 3.700 metros de altura, o vulcão não é apenas o ponto mais alto do país, mas também uma referência visual constante em obras de arte, literatura e tradições populares, como pontua o viajante do mundo, Alberto Toshio Murakami. Ademais, sua forma simétrica e a presença imponente no horizonte contribuíram para que o Fuji fosse visto como um elemento de equilíbrio e perfeição.

Porém, além da estética, o simbolismo do Monte Fuji está ligado à ideia de permanência em meio às transformações. O Japão passou por guerras, mudanças políticas e avanços tecnológicos, mas a montanha permaneceu como um ponto fixo, observando silenciosamente essas transições. Desse modo, essa permanência ajudou a consolidar o Fuji como um símbolo de estabilidade e continuidade cultural.
Outro aspecto importante é a associação entre o Monte Fuji e a identidade nacional, conforme frisa Alberto Toshio Murakami. A imagem da montanha aparece em cédulas antigas, selos, pinturas tradicionais e produções contemporâneas. Ou seja, o Fuji não representa apenas um local físico, mas também um sentimento coletivo que une diferentes gerações de japoneses.
O papel religioso do Monte Fuji no Japão
O Monte Fuji e o Japão também se conectam profundamente no campo religioso. Desde tempos antigos, a montanha é considerada sagrada, especialmente dentro do xintoísmo, religião nativa do país que valoriza elementos naturais como morada de divindades. O Fuji-san é visto como um espaço de purificação, onde a proximidade com o divino se manifesta por meio da natureza.
Isto posto, durante séculos, peregrinos subiram o Monte Fuji como uma maneira de devoção e busca espiritual. Esses rituais não tinham apenas um caráter físico, mas simbólico, representando esforço, superação e renovação interior. De acordo com o viajante do mundo, Alberto Toshio Murakami, essa escalada ritual reforçava valores como disciplina, respeito e humildade, muito presentes na cultura japonesa.
Aliás, o budismo também influenciou a sacralização do Monte Fuji, especialmente na interpretação da montanha como um caminho para a iluminação. No final, a convivência entre o xintoísmo e o budismo no Japão permitiu que o Fuji assumisse múltiplos significados espirituais, sem perder sua essência como símbolo de transcendência.
Como o Monte Fuji aparece nas artes japonesas?
O Monte Fuji e o Japão estão fortemente ligados por meio das artes visuais e da produção cultural. Um dos exemplos mais conhecidos é a série de gravuras “Trinta e seis vistas do Monte Fuji”, de Hokusai, que ajudou a difundir a imagem da montanha dentro e fora do país. Nessas obras, o Fuji aparece sob diferentes ângulos e estações, reforçando sua presença constante na vida cotidiana.
Além das artes plásticas, o Monte Fuji inspira poemas, canções e narrativas tradicionais. Desse modo, a montanha muitas vezes surge como metáfora de força, silêncio e introspecção. Como menciona Alberto Toshio Murakami, essa recorrência artística mostra como o Fuji funciona como um espelho emocional, no qual os japoneses projetam sentimentos e valores coletivos.
Inclusive, na cultura contemporânea, o Monte Fuji continua presente, seja em filmes, animes ou campanhas institucionais. Portanto, mesmo em um Japão altamente urbanizado, a imagem do Fuji mantém sua relevância, conectando o presente a tradições ancestrais de forma natural e contínua.
Significados simbólicos do Monte Fuji para os japoneses
Em resumo, o simbolismo do Monte Fuji e do Japão pode ser observado em diferentes dimensões da vida social. Esses significados não se limitam à religião ou à arte, mas também influenciam comportamentos e percepções sobre o mundo. Aliás, é importante destacar que eles se sobrepõem e dialogam entre si, formando uma rede de sentidos construída ao longo do tempo. Confira, a seguir, alguns desses significados:
- Pureza e renovação: a presença do vulcão está associada à ideia de limpeza espiritual e recomeço, especialmente nos rituais de peregrinação.
- Resiliência e força: mesmo sendo um vulcão, o Monte Fuji transmite uma sensação de tranquilidade, simbolizando equilíbrio diante das adversidades.
- Identidade nacional: a montanha funciona como um marcador cultural que reforça o sentimento de pertencimento ao Japão.
- Harmonia com a natureza: o respeito ao Fuji reflete a valorização japonesa da convivência harmoniosa com o meio ambiente.
Por fim, após observar esses pontos, fica claro que o Monte Fuji reúne significados que dialogam com valores centrais da sociedade japonesa, indo muito além de sua função turística.
Um símbolo que revela a essência do Japão
Em última análise, compreender o Monte Fuji além do que os cartões-postais mostram, permite enxergar o Japão sob uma perspectiva mais profunda. Uma vez que a montanha reúne espiritualidade, arte, identidade e valores que moldam a cultura japonesa até hoje, funcionando como um verdadeiro retrato simbólico do país.
Autor: Khasmogomed Rushisvili