No cenário político atual, a declaração da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) gerou uma grande repercussão, principalmente entre os opositores. A frase “Nunca gaste vela com santo ruim”, dita pela parlamentar, reflete uma postura de descrença quanto à possibilidade de diálogo com os parlamentares mais radicais do Congresso Nacional, muitos dos quais são associados ao bolsonarismo. Essa fala pode ser vista como um reflexo da atual polarização política no Brasil, que se intensifica a cada nova declaração de figuras proeminentes.
Gleisi Hoffmann, recentemente nomeada para o cargo de ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, afirmou que sua estratégia não incluiria tentar convencer aqueles parlamentares que estão firmemente alinhados com o ex-presidente Jair Bolsonaro e suas ideias mais extremistas. A parlamentar afirmou que, diante de um Congresso Nacional dividido, não vale a pena “gastar vela com santo ruim”, uma metáfora que sugere a inutilidade de esforços em diálogos com pessoas irredutíveis. Essa declaração é uma tentativa clara de mostrar que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não perderá tempo com interlocutores que não estão dispostos a negociar de forma construtiva.
Ao fazer essa afirmação, Gleisi Hoffmann deixa claro que o governo optará por se concentrar em parlamentares que realmente têm interesse em colaborar com as propostas de mudança e de governabilidade. Em tempos de grande polarização política, esse tipo de posicionamento pode tanto fortalecer a base de apoio do governo quanto aprofundar a divisão com a oposição. Para muitos analistas políticos, a escolha de não tentar dialogar com o bolsonarismo é uma estratégia arriscada, que pode resultar em mais atritos e dificuldades para a aprovação de pautas importantes no Congresso Nacional.
O discurso de Gleisi Hoffmann está diretamente ligado à dificuldade de se estabelecer um entendimento entre os diferentes grupos políticos que compõem o Congresso. A radicalização política tem sido uma característica marcante do cenário nacional nos últimos anos, e a postura da deputada reflete a frustração de muitos políticos de esquerda com a resistência em dialogar com a direita mais conservadora. Entretanto, essa atitude pode gerar consequências imprevisíveis, tanto para o governo quanto para a oposição, uma vez que a política é, por natureza, um campo onde os aliados podem se transformar em adversários rapidamente.
O impacto dessa declaração se reflete não só no Congresso Nacional, mas também nas bases eleitorais dos diferentes partidos. O apoio popular à atual administração de Lula tem se mostrado instável, e a escolha de ignorar os bolsonaristas pode ser uma forma de tentar consolidar a base mais progressista. No entanto, isso pode afastar uma parte significativa da população que ainda vê Bolsonaro como uma figura política relevante, ou que não se identifica totalmente com as propostas do governo petista. Assim, a postura de Gleisi Hoffmann pode ser vista como uma tentativa de fortalecer um campo político específico, ao mesmo tempo em que se distanciam os potenciais aliados que estão mais à direita no espectro político.
Além disso, a declaração de Gleisi Hoffmann coloca em evidência a fragilidade do sistema de alianças no Congresso. Embora a articulação política seja uma das funções mais importantes de um ministro da Secretaria de Relações Institucionais, a frase da parlamentar deixa claro que o governo está disposto a assumir uma postura mais agressiva, em vez de buscar consenso com aqueles que, segundo ela, não estão dispostos a contribuir para o avanço do país. Essa abordagem pode criar um ambiente de maior tensão no Congresso, tornando mais difícil a aprovação de medidas essenciais para o andamento da administração.
Por outro lado, a declaração também reflete uma tendência crescente de rejeição à política de conciliação a qualquer custo, que foi uma das marcas da gestão anterior. Gleisi Hoffmann parece adotar uma postura mais assertiva, em que, segundo ela, é necessário focar nas forças políticas que realmente têm interesse em colaborar com as propostas do governo. Isso pode ser visto como uma tentativa de fortalecer as relações com os parlamentares que compartilham uma visão mais progressista, em vez de perder tempo tentando convencer aqueles que, para ela, representam um “santo ruim” no contexto político.
O futuro das articulações políticas no Brasil dependerá, em grande parte, da forma como o governo lidará com as divisões internas e com as alianças que precisa formar para garantir a governabilidade. A frase de Gleisi Hoffmann pode ser apenas a ponta do iceberg de um processo de maior radicalização política, mas também pode ser uma estratégia para consolidar um campo de apoio mais fiel. O tempo dirá se essa abordagem trará resultados positivos ou se aprofundará ainda mais a crise política que o país tem enfrentado. Uma coisa é certa: a política brasileira não será mais a mesma após declarações como essa, que marcam a linha divisória entre os que estão dispostos a negociar e os que preferem seguir em sua própria estrada ideológica.
Autor: Khasmogomed Rushisvili
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital