A Justiça está mais rápida ou apenas mais automatizada?

Noa Takasawa
Por Noa Takasawa 5 Min de leitura
Doutor Valdemir Ferreira Santos

De acordo com o Doutor Valdemir Ferreira Santos, a tecnologia vem alterando a rotina do Judiciário ao reduzir etapas manuais, automatizar atividades repetitivas e facilitar o tratamento de grandes volumes de informação. No entanto, realizar determinadas tarefas com maior rapidez não significa que um processo será necessariamente solucionado no mesmo ritmo. Entre a eficiência operacional proporcionada pelas ferramentas digitais e a conclusão de uma demanda, existem etapas processuais, análises jurídicas e particularidades de cada caso que ajudam a explicar por que automação e rapidez não são exatamente a mesma coisa.

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Automatizar significa necessariamente julgar mais rápido?

A automação pode reduzir o tempo gasto em atividades operacionais. Organização de documentos, classificação de informações, localização de conteúdos e execução de procedimentos padronizados são exemplos de tarefas nas quais sistemas digitais podem diminuir etapas manuais. Quando isso acontece, profissionais deixam de dedicar parte da rotina a trabalhos repetitivos.

Entretanto, um processo judicial não é composto somente por essas atividades. Existem manifestações das partes, produção de provas, cumprimento de prazos, análise de argumentos e decisões que dependem das particularidades de cada caso. A aceleração de uma etapa, portanto, não elimina automaticamente os demais fatores que influenciam a duração da tramitação.

Essa distinção ajuda a compreender por que eficiência tecnológica e rapidez processual não são sinônimos. A experiência do Doutor Valdemir Ferreira Santos está inserida em uma profissão na qual ferramentas podem mudar profundamente, enquanto a necessidade de examinar adequadamente as circunstâncias apresentadas continua fazendo parte da atividade jurisdicional.

Onde a automação pode produzir ganhos concretos?

Segundo o Doutor Valdemir Ferreira Santos, um dos principais espaços está nas tarefas que seguem padrões relativamente previsíveis. Sistemas podem auxiliar na organização de grandes volumes de informações, identificação de documentos e realização de rotinas administrativas. Dessa forma, atividades que anteriormente exigiam sucessivas intervenções manuais podem ser executadas com maior agilidade. Isso permite reduzir parte do esforço operacional envolvido em procedimentos que não dependem, necessariamente, de uma análise jurídica individualizada.

Doutor Valdemir Ferreira Santos
Doutor Valdemir Ferreira Santos

A inteligência artificial amplia essas possibilidades ao permitir recursos de busca, síntese e tratamento de informações. Em processos extensos, ferramentas tecnológicas podem ajudar a localizar determinados conteúdos ou organizar materiais para consulta. O ganho potencial está principalmente em reduzir o tempo dedicado à procura e ao processamento inicial das informações. Com os dados mais acessíveis e estruturados, profissionais podem concentrar maior atenção nas etapas que exigem interpretação e avaliação do caso concreto.

Por que alguns processos continuam demorados?

Existem limites que não decorrem da capacidade dos sistemas utilizados. Uma causa pode depender da realização de perícia, apresentação de documentos, manifestação das partes ou esclarecimento de fatos controvertidos. Mesmo que tarefas administrativas sejam realizadas rapidamente, determinadas etapas precisam respeitar procedimentos necessários à participação dos envolvidos. Por isso, acelerar operações internas não significa eliminar prazos e atos que cumprem funções específicas ao longo da tramitação.

Também existem processos cuja dificuldade está na própria matéria discutida. Muitas páginas não significam necessariamente maior complexidade, assim como um processo relativamente curto pode apresentar questões jurídicas difíceis. A tecnologia consegue auxiliar na organização do material, mas não transforma automaticamente uma controvérsia complexa em uma questão simples. Em determinadas situações, compreender poucas informações pode exigir mais análise do que organizar um grande volume de documentos.

Para o Doutor Valdemir Ferreira Santos, esse cenário permite observar uma diferença relevante entre reduzir trabalho operacional e reduzir o tempo da atividade intelectual. A magistratura envolve interpretação e fundamentação, o que significa que determinadas decisões exigem atenção às particularidades do processo, mesmo quando sistemas tecnológicos conseguem preparar informações em poucos segundos. O tempo economizado nas tarefas instrumentais pode apoiar o trabalho judicial, mas não substitui o período necessário para examinar questões que exigem reflexão jurídica.

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