Conforme analisa o CTO Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, há uma mudança de postura que está se consolidando entre os times de infraestrutura de tecnologia mais maduros do mercado: a eficiência energética deixou de ser uma pauta de sustentabilidade corporativa e passou a ser um critério técnico concreto nas decisões de arquitetura, escolha de datacenters e estratégia de cloud computing.
Essa mudança não veio apenas de pressão regulatória ou de metas ESG. Veio do crescimento explosivo dos custos operacionais de infraestrutura, especialmente com a chegada de workloads de inteligência artificial que consomem energia em escala completamente diferente das aplicações tradicionais.
O que workloads de IA fizeram com o consumo energético de datacenters?
Treinar modelos de linguagem de grande escala ou manter clusters de inferência em produção consome uma quantidade de energia que coloca o consumo de datacenters modernos em uma categoria diferente do que era há cinco anos. Essa realidade está forçando empresas de todos os tamanhos a pensar em eficiência computacional não apenas como otimização de custo, mas como viabilidade operacional de longo prazo.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira aponta que a escolha de onde rodar workloads de IA, com qual hardware e em qual região geográfica, tem implicações energéticas e de custo que precisam ser parte da análise técnica desde o início do projeto.
Como a arquitetura de software afeta o consumo de energia?
A conexão entre decisões de engenharia de software e consumo energético é mais direta do que parece. Na prática, o código ineficiente que força o sistema a trabalhar mais do que o necessário consome mais energia, serviços que fazem mais chamadas de rede do que precisariam consomem mais energia e pipelines de dados que processam o mesmo dado múltiplas vezes consomem mais energia.

Segundo o CTO Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, a otimização de performance e eficiência energética são, em grande parte, o mesmo trabalho técnico visto por ângulos diferentes. Times que tratam performance como prioridade técnica estão, indiretamente, construindo sistemas mais eficientes do ponto de vista energético.
O que considerar na escolha de provedores de cloud com critérios de sustentabilidade?
Grandes provedores de cloud computing publicam métricas de eficiência energética de seus datacenters e fazem compromissos públicos sobre uso de energia renovável. Esses dados são relevantes para empresas que precisam reportar emissões de escopo três em suas métricas de sustentabilidade.
No entanto, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira alerta para uma avaliação mais pragmática: a escolha de provedor e região de cloud afeta latência, custo e disponibilidade de serviços específicos. Nesse cenário, a sustentabilidade entra como um critério adicional, não como o critério dominante que sobrepõe todos os outros.
Eficiência que começa no design e não no datacenter
A forma mais eficaz de construir infraestrutura de tecnologia sustentável é projetar sistemas que precisam de menos recursos para entregar o mesmo resultado. Isso começa nas decisões de arquitetura de sistemas, passa pela qualidade do código e chega à estratégia de provisionamento de infraestrutura.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira representa o perfil de especialista em tecnologia que entende que eficiência energética é uma consequência natural de engenharia de software bem feita, e que as empresas que levam isso a sério hoje estão construindo uma vantagem operacional que vai se tornar cada vez mais relevante nos próximos anos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez