Pesquisa mostra que 65% dos brasileiros querem uma alternativa a Lula e Flávio Bolsonaro em 2026

Diego Rodríguez Velázquez
Por Diego Rodríguez Velázquez 7 Min de leitura
Pesquisa mostra que 65% dos brasileiros querem uma alternativa a Lula e Flávio Bolsonaro em 2026

Levantamento CNT/MDA revela que metade de quem defende uma terceira via ainda não sabe indicar um nome para representá-la.

A poucos meses da eleição presidencial de 2026, uma nova pesquisa de opinião reforça um sentimento que já aparecia em levantamentos anteriores: a maioria dos brasileiros gostaria de ver um nome diferente de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputando o Palácio do Planalto. Segundo a pesquisa CNT em parceria com o Instituto MDA, divulgada nesta terça-feira (16), 65% dos entrevistados defendem uma alternativa aos dois nomes que hoje lideram a corrida eleitoral. O dado chama atenção, mas também levanta uma pergunta inevitável: se a maioria quer outra opção, por que essa terceira via ainda não aparece com força nas urnas? A resposta, segundo o próprio levantamento, está em um detalhe revelador sobre o eleitorado brasileiro.

Por que tantos brasileiros dizem querer uma alternativa, mas não conseguem nomeá-la?

O dado mais intrigante da pesquisa CNT/MDA não é o percentual de 65% que defende uma terceira via, mas o que vem depois dele. Entre os entrevistados que classificam essa alternativa como importante ou muito importante para o país, 50,9% afirmaram não saber indicar um nome capaz de representar esse campo político. Ou seja, metade de quem deseja uma opção fora da polarização entre PT e bolsonarismo simplesmente não tem um candidato em mente, o que ajuda a explicar por que essa vontade declarada nas pesquisas ainda não se traduz em força eleitoral concreta para nenhum nome específico.

Esse fenômeno não é exatamente uma novidade na política brasileira recente. Especialistas em comportamento eleitoral costumam apontar que a insatisfação com os polos dominantes nem sempre se converte em apoio consolidado a uma terceira via, especialmente quando o campo do meio aparece fragmentado entre vários nomes com propostas e bases regionais distintas. A pesquisa reforça exatamente esse cenário ao mostrar que, mesmo entre os 36,8% que classificam a alternativa como importante e os 28,2% que a consideram muito importante, não existe ainda um consenso sobre quem deveria encarnar esse projeto político até a eleição de outubro.

Quais nomes aparecem como possíveis representantes da terceira via?

Apesar da indecisão generalizada, a pesquisa registrou alguns nomes mencionados de forma espontânea pelos entrevistados. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado lidera essa lista, com 9% das menções, seguido pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, com 7,4%. Na sequência aparecem o ex-ministro Joaquim Barbosa, com 5,5%, o ex-presidente Michel Temer, com 5,2%, e nomes como Augusto Cury e Renan Santos, cada um na faixa de 4%. Esses números mostram um campo disperso, sem um candidato que tenha conseguido se firmar como a principal opção fora da disputa entre o presidente e o senador do PL.

Vale destacar que esses percentuais foram coletados a partir de respostas espontâneas, sem que os entrevistados recebessem uma lista pré-definida de candidatos, o que costuma gerar números mais baixos e dispersos do que pesquisas estimuladas. Outros levantamentos divulgados nos últimos meses, como o da BTG/Nexus, mostram cenários estimulados em que Lula aparece com cerca de 41% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro em torno de 36%, com os demais nomes testados ficando em patamares de um dígito. A combinação dos dois tipos de pesquisa ajuda a entender por que a polarização ainda domina o radar eleitoral, mesmo com a insatisfação expressa por boa parte do eleitorado.

O que essa indecisão pode significar para a corrida presidencial até outubro?

Para analistas políticos, esse cenário de insatisfação sem direção clara tende a beneficiar, paradoxalmente, os dois polos já consolidados. Enquanto a terceira via permanecer fragmentada entre vários nomes regionais, sem um processo de unificação em torno de uma candidatura única, o voto de quem rejeita tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro corre o risco de se dispersar demais para fazer diferença real no primeiro turno. Esse é um dos motivos pelos quais articulações em torno de pré-candidaturas de centro ganharam força nos bastidores de Brasília nos últimos meses, ainda sem resultado prático nas urnas.

A pesquisa CNT/MDA, registrada no Tribunal Superior Eleitoral, ouviu 2.002 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 10 e 14 de junho, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Esse tipo de levantamento funciona como um termômetro importante para os próximos meses, especialmente porque os partidos de centro ainda têm até agosto, prazo legal para o registro de candidaturas, para tentar construir um nome competitivo. Até lá, a dúvida que a própria pesquisa revela, a de quem poderia representar essa alternativa, continua sendo o principal obstáculo para transformar a insatisfação em voto.

Os números da pesquisa CNT/MDA confirmam que a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro incomoda boa parte do eleitorado brasileiro, mas também mostram que essa insatisfação ainda não encontrou um destino claro. Enquanto nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema aparecem como possibilidades isoladas, a ausência de um consenso em torno de uma candidatura única de centro mantém o cenário eleitoral concentrado nos dois polos já conhecidos. Os próximos meses, marcados pela definição de coligações e pelo prazo de registro de candidaturas, serão decisivos para saber se essa terceira via vai conseguir ganhar corpo ou se a eleição de outubro seguirá sendo decidida, mais uma vez, pela disputa entre PT e bolsonarismo.

Fontes:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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